sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Turismo? Januária tem...

Afinal, Januária tem realmente todo esse potencial turístico que dizem? Tem? Então porque o turismo não tem gerado emprego e renda aqui como acontece em outros lugares?
De fato, atualmente, o turismo tem sido uma atividade econômica bastante relevante no Brasil e no mundo. Em nosso país, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, enquanto a média de crescimento do PIB nacional no período de 2000 a 2005 foi de 2,56% ao ano, o turismo apenas nos anos de 2004 e 2005 cresceu 24,1% e 17,3% respectivamente. Neste mesmo período foram criados no setor mais de 1,4 milhão de novos empregos.
Que o turismo tem se consolidado como uma das principais atividades econômicas em tudo o mundo é inquestionável, mas quando o assunto é turismo em Januária o que ouvimos é sempre a mesma frase: Januária tem potencial turístico enorme.
É verdade, o potencial turístico de Januária é realmente muito grande. Maior até que o potencial de alguns destinos onde o turismo já acontece.
Nossa região, repleta de belezas naturais, foi uma das primeiras a ser colonizada pela Coroa Portuguesa. Já nos primeiros anos do século XVII havia um significativo número de portugueses aqui. Naquele tempo os grandes chapadões e baixadas, propícias para pastagens, ofereciam condições ideais para o desenvolvimento da pecuária de corte, atividade que ainda hoje é uma das principais na região.
Os atrativos turísticos daqui são de extrema relevância. A começar pelo Rio São Francisco, repleto de belas praias de água doce. O Vale do Peruaçu com suas mais de 140 cavernas e cerca de 80 sítios arqueológicos, local onde também se encontram inscrições rupestres com cerca de 12 mil anos e onde está localizada a maior estalactite do mundo. Sem falar no Rio Pandeiros com suas cachoeiras e seu pântano que, diga-se de passagem, é o único em Minas Gerais. Também nesta região encontra-se o Rio Carinhanha, considerado o melhor para a prática do rafting em Minas Gerais; a igreja de Nossa Senhora do Rosário, uma das mais antigas do Estado; e dentre inúmeros outros atrativos, as belíssimas veredas e cachoeiras de águas cristalinas presentes nas obras de Guimarães Rosa.
Temos potencial para o desenvolvimento de atividades como: canoagem, rafting, bóia-cross, mountainbike, caving, off-road, cavalgada, pesca esportiva, rappel e inúmeras outras. Sem falar na hospitalidade calorosa e na riqueza cultural que temos.
Realmente o potencial turístico de Januária é extraordinário, mas então por que o turismo não acontece? A resposta a essa questão é simples. O turismo não acontece porque potencial não se refere ao presente. A palavra potencial significa algo que pode ser desenvolvido, mas que ainda não se concretizou. Tomemos como exemplo um rio que possui um grande potencial para gerar energia elétrica. Ter apenas potencial não gera nenhuma energia. Para se obter energia é preciso construir uma hidrelétrica.
Com o turismo em Januária acontece o mesmo. Precisamos trabalhar para transformar o potencial turístico que temos em realidade. Precisamos “construir a hidrelétrica” e fazer do potencial um produto turístico.
Podemos entender por produto turístico o conjunto de bens e serviços necessários para satisfazer os desejos e necessidades dos turistas. Basicamente um produto turístico é composto por: atrativo turístico, bens e serviços de apoio, infra-estrutura, equipamentos, promoção e preço. Tais elementos só têm valor para o turismo em conjunto. Isoladamente cada elemento tem pouco, ou até nenhum, valor. Atrativos turísticos são “a matéria prima” do turismo, mas isoladamente eles têm pouco valor. Além dos atrativos é preciso ter bons serviços de agenciamento, hospedagem, alimentação, transporte, segurança, informação, entretenimento, serviços públicos e tantos outros responsáveis em agregar valor o atrativo.
Em Januária temos grande diversidade de atrativos, mas, ainda somos extremamente carentes em equipamentos e serviços de apoio ao turista.
Agora ficou fácil entender porque o turismo não se desenvolve em Januária.
Mas de quem é a responsabilidade? Da prefeitura, dos empresários ou da comunidade?
A responsabilidade é de todos.
O turismo, quando bem, planejado beneficia a todos. Cria novas oportunidades de investimento para os empresários, gera empregos para a comunidade e aumenta a arrecadação de impostos para os governos. E é por beneficiar a todos que seu desenvolvimento requer a participação de todos. Ao governo cabe o papel de planejar, regular e investir em infra-estrutura e serviços públicos de qualidade. Os empresários precisam estar preparados para prestar bons serviços e a comunidade deve receber bem os visitantes e todos juntos devem participar ativamente de todo o processo de desenvolvimento.
Empreender um projeto capaz de fazer de Januária um destino turístico não é uma utopia, mas também não é tarefa fácil. Fazer de Januária uma cidade turística é algo possível, mas que requer, principalmente, planejamento, cooperação e empenho de todos. A união entre governo, sociedade e empresariado já seria o primeiro, e talvez o mais importante, passo para a conquista deste objetivo.

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